Dois Oceanos, Dois Meios de Transporte, Um casal, Uma Grande Aventura - Expedição Brasil Cristalino cruzando o Canal do Panamá e pescando nos dois Oceanos. 

Na boca do Canal do Panamá, depois de uns 30 dias insistindo para conseguir pegar uma água que desse aquela visibilidade que eu sonhava, me aparece o maior cardume de robalos da minha vida, com peixes variando de 6 a 10kg, todos desfilando na minha frente...

Logo que chegamos na Marina Pedregal, na Cidade de David, norte do Panamá, eu sai de inflável para explorar os canais e manguezais próximos...

Em uma dessas saídas, quando eu navegava em busca de um lugar para pescar, vi que um mergulhador acenava de dentro da água, próximo a uma das margens. Diminui a velocidade e rumei em direção do mergulhador que continuava movimentando uma das mãos de cima até a superfície da água.

Chegando mais perto foi que eu percebi que o movimento que pareceu ser um aceno foi na verdade a palma da mão dele subindo e descendo com força na superfície da água, um ritual que ele cumpria antes de cada imersão.

Cruzar o Canal do Panamá foi mais uma aventura. Nosso capitão e amigo Dennis, que havia nos auxiliado com a chegada do barco na Costa Rica, novamente entrou em ação e organizou tudo, papéis, horário, com quem falar e marcamos a data.

As 7 horas da manhã recebemos em nosso barco um piloto do canal, em uma das bóias que marcam o famoso Canal do Panamá, começou aí aquela aventura.

Nos apoiavam três capitães e um marinheiro, todos segurando os cabos e auxiliando nas manobras de amarrar e desamarrar do rebocador do canal, a cada vez que entrávamos, aguardávamos o nível da comporta baixar e saíamos em direção a próxima.

Além do Dennis, em quem já confiávamos, se juntaram à tripulação o Freddy, um capitão de El Salvador e super gente boa, que era vizinho de barco na Marina La Playita, na Cidade do Panamá e o Capitão Donaldo Castro, colombiano, nascido em Boca Chica, Cartagena e que nos acompanharia por toda a viagem através do Arquipélago de San Blás.

Tudo ia bem, até que na segunda comporta, os linheiros do canal esqueceram um cabo atado na popa do rebocador do qual havíamos acabado de nos separar, aguardando que el prosseguisse. Com a marejada criada pelo Navio que seguia na nossa frente, em direção à saída da comporta, o rebocador ficou de atravessado na comporta, ocupando toda a extensão da mesma e eu fui colocando o Brasil Cristalino pra trás até que me gritaram...faltam solo 2m para bater na comporta de trás e aí eu fiquei esperando o choque.

Por sorte, soltaram a linha a tempo e o piloto mais experiente tomou o comando do novato que estava em treinamento e manobrou o rebocador, que passou a 1m da nossa proa..uffa...que cagada...

Tirando este incidente, o cruzamento do canal seguiu normalmente, de comporta em comporta repetimos a mesma manobra. Esperar um navio grande entrar, esperar o rebocador que o apoiava entrar, encostar no bordo do rebocador e se amarrar a ele...esperar as comportas se fecharem, a água baixar e sair em direção a próxima.

Assim foi até que saímos do canal, propriamente dito, acedemos ao Lago Gatún e daí uma comporta a mais e estávamos em Colón, no lado caribenho do Panamá. 

Tendo recebido nosso barco na Costa Rica e navegado até o Norte do Panamá, tivemos o primeiro de uma série de problemas mecânicos com o mesmo. Enquanto esperávamos que os mecânicos da Volvo Penta resolvessem os problemas, não tínhamos outra alternativa e fomos explorar os manguezais vizinhos à marina. Qual não foi nossa surpresa quando encontramos ótimos pontos de robalos e pescadas amarelas. Em agradecimento a um ribeirinho que nos deu a dica sobre o melhor local da zona para as chamadas corvinas e robalos, lhe presenteamos com a terceira pescada amarela que saiu daquele ponto abençoado.

Quando chegamos no Panamá, ainda pelo lado do Caribe, já havíamos experimentado alguns tipos de barco, sendo que eu passei alguns anos da minha vida pescando em um barco a motor de uma amigo, no litoral sul de São Paulo. O barco era uma Cabras-mar de 35 pés, com motores Volvo Penta e eu achava o barco super confortável e rápido.

Juntos, eu e a Lilian havíamos feito três viagens em veleiros de diferentes tamanhos. Uma pernada de Ilha Bela até Angra dos Reis, ida e volta, em um veleiro de 35 pés de um primo; a travessia Recife – Fernando de Noronha, ida e volta em um veleiro grande, onde éramos passageiros, com algumas obrigações de tripulantes, em uma viagem de mergulho autônomo e exploração da ilha e finalmente, havíamos cruzado em um veleiro alugado de Cartagena, Colômbia, para San Blás, no Panamá.