Neste primeiro mergulho no México, fomos checar as marcas de 12 barcos de pesca de camarão que, segundo o capitão que nos pasou as posições, teriam sido afundados pelos proprietários para receber o seguro.

A surpresa não poderia ser maior, quando, na primeira imersão, me deparo com uma quantidade de vida marinha impressionante: Robalos, Caranhas, Pescadas Amarelas e os enormes meros estavam todos lá, como em um sonho de qualquer pescador submarino.

A América Central, do lado do Pacífico é excelente para praticar a pesca sub consciente.

Depois de um ano e meio no Panamá, precisávamos tomar uma decisão, ficávamos no Panamá, cruzávamos novamente o Canal e íamos fazer todo o Caribe de barco, ou subiríamos em direção ao nosso destino original, o México, pelo Oceano Pacífico.

Aqui cabe um a parte. Eu e a Lilian decidimos fazer esta viagem de carro, quando ainda morávamos em Andradina, no interior de São Paulo, conhecendo os Dois Oceanos e pescando ora em um, ora em outro. Naquele ponto da viagem, tendo feito algumas correções de rota, como a compra do nosso barco, retomamos a idéia original e decidimos seguir para o México. 

Havia muita coisa em jogo, a quantidade e diversidade de peixes do Panamá, a falta de serviços náuticos de qualidade em toda a América Central, que estávamos prestes a atravessar, sem falar dos temidos furacões, que ameaçam aquela zona do Oceano Pacífico, mais notadamente da Nicarágua para o Norte. 

Depois de um último conserto no nosso barco, uma série de três que foram feitos no Panamá, ainda durante o período da garantia e do retorno da Lilian, que havia viajado para o Brasil, arrumamos tudo, traçamos nossa rota e partimos, naquele dia 17 de julho de 2012, em rumo ao desconhecido mais desconhecido que já havíamos conhecido... 

 

Saímos da marina de Pedregal, na Cidade de David, neste sábado, com destino aos acantilados do Golfo de Chiriqui, uma região onde a profundidade cai abruptamente, proporcionando um corredor de vida marinha de grande porte, como Wahoos, Dorados e os tão cobiçados atuns de cola amarilla.

Já havíamos estado aqui em David na mesma época do ano passado, pois sendo o porto mais próximo da Costa Rica, obrigatoriamente passaríamos por aqui em direção a Cidade do Panamá. Sabíamos pela experiência do ano passado que os atuns permanecem nesta região até o fim de junho e que tínhamos grande chance de repetir as capturas do ano passado, onde capturamos dois bons exemplares.

 

Sabíamos também, que o auge da temporada, que começa em finais de março, já havia passado e que a pescaria, antes realizada nas grandes bolas de iscas "bait balls", agora seria feita em torno dos "pinnacles", formações rochosas que despontam do fundo (100 a 300m) e sobem até 60, 50 e no caso, 43m com a maré baixa.

 

Foi com essas informações que partímos bem abastecidos a a bordo do Brasil Cristalino, nossa embarcação/casa, saíndo pela BOCA BRAVA, uma barra tida como perigosa com maré baixa e swell grande, passando pelo Arquipélago das Paridas (Parque Nacional Marinho de Chiriqui e pelo Arquipélago de Ladrones, onde começam os acantilados e onde efetivamente começaria nossa aventura no azul.

 

 

Em 2004, quando eu vi a Lilian pela primeira vez, em Andradina, interior de São Paulo, onde eu morava na época, através de algumas amigas em comum, ela acabou indo na chácara onde eu morava e eu, todo orgulhoso, mostrei um álbum com as fotos das minhas capturas subaquáticas. O peixe que mais a impressionou foi um mero de uns 80 Kg que eu havia capturado no litoral sul de São Paulo, quando os meros ainda não eram protegidos por lei...

Quem diria que quase dez anos depois tiraríamos essa foto, no Panamá, ao lado de um desses gigantes, que hoje a Lilian protege ferozmente. Hoje em dia, seguindo a proibição e proteção que esta espécie recebeu no Brasil em 2002 e a consciência ecológica, só capturamos os meros por meio de fotos, vídeos e de imagens indeléveis nas nossa mentes, quando temos a oportunidade de mergulhar com um desses. O mero da foto foi avistado pela Lilian em uma rachadura enorme, no Arquipélago das Perlas, no Panamá e ficamos brincando com ele por mais de uma hora...Calculamos uns 150 Kg.

Equipe Marbella pescando em Colón - Alegre como o Caribe - Em decorrência das obras de ampliação do Canal do Panamá, para que o Canal possa dar passagem aos navios contemporâneos (de hoje em dia), os trabalhos de dragagem e escavação não param, sujando a água do Mar do Caribe Panamenho e possibilitando a captura de lindos exemplares de Robalo e outros peixes também. Mergulhe conosco...