Desembarcamos tudo na ilha do Panamá onde passaríamos os próximos 4 dias inteiramente dedicados e focados na pesca dos atuns. Na viagem anterior, havíamos embarcado 10 peixes no total, 2 meus, dois de cada um dos franceses que estávamos guiando e 4 de um amigo que mora aqui do Panamá. A Lilian, com uma arma não adequada, acabou perdendo algumas oportunidades e queria a revanche...

Deixamos malas, computador, comida e os utensílios de comida juntamente com nosso cozinheiro e partimos para nossa primeira tarde de caçada de atuns...é uma verdadeira caçada...

Hora e meia de navegação e chegamos no pico mais cobiçado e mais disputado de todo o Panamá e imagina quantos barcos havistamos?

- Nenhum...

Sim, não havia sequer um barco, nem de Sportfishing e nem de Pesca Artesanal (A pesca comercial de grande porte é proibida em toda a Costa do Panamá até um distância de 40 milhas náuticas de onde estávamos), em um local onde já chegamos a contar 10 barcos de Sportfhing e 38 de pesca artesanal.

Virei pro capitão e disse:

- Mala señal;

Ele respondeu:

- Eso te iba a decir;

A ausência de barcos somada à cor esverdeada e à temperatura mais baixa que o normal da água, criavam um panorama nada animador e um pensamento passou pela minha cabeça:

- Você sabia dessa água verde e fria; deveria ter cancelado a viagem.

Acompanhando como sempre faço todos os prognósticos antes da viagem, eu havia visto esta água fria e com menos visibilidade se aproximando e depois tomando conta de toda a área onde estaríamos pescando.

Era uma aposta e eu apostei que essa água, apesar de fria e turva, poderia nos beneficiar à medida em que traria grande quantidade de plancton e com ele as tão desejadas sardinhas que os atuns não se cansam de comer. Além do mais, poderia fazer com que os disparos nos atuns, que geralmente são feitos de até 7, 8, 9 metros de distância, fossem encurtados para 3, 4 metros, o que facilitaria as capturas sobremaneira.

Eu apostei, e a julgar pelo que havia visto, havia apostado errado...

Terminei de me equipar, enquanto fazíamos a manobra para jogar uma bóia de marcação no ponto mais alto, que sobe para 43m e serve de referência para nossas passadas, em busca dos atuns.

 

Tomei um saco de sardinhas e caí na água, enquanto a Lilian Horayama​ me observava atentamente do barco. Fiz toda a passada e uma a uma das minhas sardinhas desapareceram sem que eu pudesse ver a trajetória das mesmas, em uma água que parecia uma sopa de nutrientes marinhos, com tons verde e café. Ainda fiz uma última imersão mais profunda, até os 18m (nesse tipo de pescaria a ação se concentra até os 15m, geralmente) e fiquei imóvel e sentindo o frio da água em meio a um último grupo de sardinhas que caiam até o fundo...

Subi no barco e a Lilian perguntou:

- E aí? Viu alguma coisa?

- Você trouxe linguiça? - eu respondi.

- Calma, a pescaria só está começando - ela retrucou.

Eu não havia visto sequer um ser vivo maior que uma alga filamentosa ou uma água viva...

Em todas as nossas pescarias, sempre que vamos ao supermercado, a Lilian quer levar picanha, linguiça e outras carnes para o caso de não termos sorte com os peixes e desta vez eu começava a achar que ela estava certa, pelo menos para aquele dia, eu via poucas chances de comermos aquele tão sonhado carpaccio de atum, aquele atum fresco selado pro fora e cru por dentro ou aquele tradicional sashimi, ainda naquela noite...

Mudamos de técnica e essa, que era a única decisão a tomar, provou ter sido nossa cartada mais acertada.

 

A outra forma de se pescar os atuns aqui no Panamá e que requer bastante experiência dos capitães e ajudantes e um trabalho de equipe coordenado no barco, além de muita calma e preparação do pescador sub é o que chamamos de "Corretear los delfines", ou seguir os golfinhos.

Acontece que o atum amarelo, ou yellowfin tuna possui uma intricada relação comensal ou até simbiótica com os golfinhos rotadores aqui nesta região do Oceano Pacífico e nós, pescadores, tiramos proveito disso.

A coisa é mais ou menos assim:

Começa com um ponto branco no horizonte azul, que pode ser um golfinho voltando pra água depois de um salto ou uma ave se jogando sobre uma sardinha...qualquer um do barco pode ter avistado e avisa o capitão, que julga rapidamente valer ou não a pena mudar de curso e caso afirmativo, ele segue na direção apontada...o mais das vezes, o próprio capitão é que faz o avistamento e se dirige acertadamente ao local da ação.

Chegando mais próximo, a ação começa a se definir: golfinhos indo na mesma direção, pássaros comendo, ou os dois acontecendo no mesmo momento. Quanto mais ação e comerio melhor...em tese. As vezes, muita ação dificulta o posicionamento da embarcação e consequentemente do pescador sub para o tão desejado encontro com os atuns.

Muito bem, o capitão traça a linha imaginária para onde vão os golfinhos e os pássaros e para onde, supostamente, também vão os atuns, estes por baixo da superfície do mar, geralmente a não mais que 15m.

O sinal é dado aos pescadores sub no sentido de que se aprontem e comecem a se preparar. As armas estão armadas e os bungees estão enrolados e na mão do ajudante, com as respectivas bóias em posição...

O capitão se aproxima paralelamente à ação e procura não chegar muito perto, o que poderia assustar os golfinhos e frequentemente os faz mudar de direção.

Agora vem o ponto crucial, em que o capitão deve se antecipar ao grupo de golfinhos que traz os atuns e desengatar o motor de popa enquanto os pescadores se jogam na água como podem, com suas go pros e seus canhões em mãos, já prontos para o encontro de suas vidas e é claro, com o coração a milhão...

Quem mergulhar primeiro tem mais chances de ter um encontro cara a cara com um monstro e até de ser rodeado por centenas de torpedos que passam como se o mergulhador não existisse, raras vezes desviando-se ou aproximando-se. Com o tempo acostumamos a respirar desde que estamos seguindo os golfinhos e quando caímos na água já mergulhamos de uma vez...toma um pouco de tempo no começo...

Meia hora depois daquele primeiro mergulho frio e inóspito, eu estava na água vendo os golfinhos passarem apressadamente por mim e atrás deles os desejados torpedos amarelo ouro e negros...E foi assim que naquela noite comemos o primeiro dos nossos três banquetes de atuns frescos que tivemos naqueles dias e noites...

O saldo foi o seguinte: 9 peixes arpoados, 7 embarcados, um rasgou já na superfície pela pressa de embarcar e um que levou um arpão devido a um monofilamento não trocado desde a temporada anterior. Dos 7 peixes embarcados, eu tive o privilégio de capturar 6 e a Lilian pegou o dela, além de deixar passar vários por não serem do tamanho que ela queria..eita mulher seletiva...ela continua atrás de uma vaca, como ela costuma dizer...

Todos os peixes foram fileteados ainda na embarcação e colocados no gelo o mais rapidamente possível. Dos 25 sacos plásticos contendo os filés, 6 ficaram na ilha com os agradecidos zeladores e os demais foram divididos entre o capitão, o ajudante, nosso fiel cozinheiro e nós, sendo que nós ainda doamos para a senhora que limpa a pousada onde ficamos hospedados, para os donos da pousada, para um amigo pescador e para um casal panamenho-brasileiro que conhecemos por aqui... Calma, ainda, sobraram umas duas sacolas plásticas...está servido?

Continuamos perseguindo nosso monstro imaginário que, em um desses mergulhos ainda se materializará na nossa frente...estaremos preparados...

Para maiores informações sobre a Pesca de Atuns no Panamá, entre em contato conosco, teremos o maior prazer em organizar uma trip dos sonhos pra você e seu grupo de amigos.

Um grande Abraço.

Eduardo Balbo Jarruche - equipe do Brasil Cirstalino

 

Comentários   

0 #5 Lilian Horayama 01-07-2015 17:20
Citando Telmo Dias Ulysséa:
Bom dia amigos, gostaria de saber tudo sobre a viagem, hospedagem, melhor época, peixes, locais, profundidade de mergulho, etc... enfim tudo que devo saber para poder aproveitar bem essa viagem.

Obrigado

Olá Telmo, por favor,
me passe o seu email! Muito obrigada.
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+1 #4 Rodrigo 01-07-2015 17:11
Parabéns ao casal!!! Quem sabe um dia nos encontramos por esses mares. Abs
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+1 #3 Telmo Dias Ulysséa 30-06-2015 12:30
gostaria de saber também, se vocês produzem filmes de pesca sub, sou um aficionado pelo esporte e tenho vários dvds, mas estou sempre a procura de outro.

Valeu, obrigado.
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+1 #2 Telmo Dias Ulysséa 30-06-2015 12:25
Bom dia amigos, gostaria de saber tudo sobre a viagem, hospedagem, melhor época, peixes, locais, profundidade de mergulho, etc... enfim tudo que devo saber para poder aproveitar bem essa viagem.

Obrigado
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+1 #1 Lilian Horayama 03-05-2015 17:30
Citando rudcley:
Olá, gostaria de todas as informações de como posso or em uma viagem dessas, tenho um grupo de 4 amigos quw estão interessados.

Olá rudcley, por favor, me passe o seu email que te enviarei as informações. Muito obrigada!
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