No dia depois do casamento do Lolo, em Caçú, GO, encontramos o Boré na casa dele, jogado na cama e todo amarrotado, ainda com a roupa da noitada.

É nessas horas que a gente gostaria de não precisar de um guia de pesca, pois situações como essa atrasam a viagem e testam a paciência da gente, mas como o Boré é que tinha contatos com o dono do rancho onde ficaríamos, tinhamos que esperar que ele se aprontasse.

Algumas horas depois pegamos a estrada em direção a Nova Paranaiguara e como a Barragem de São Simão estava na rota obrigatória, demos uma passada na casa do Kevin, um piloteiro gente boa que vive ao lado da ponte e cuida de um rancho que apelidamos de cafofo do Bin Laden. Imagine o nipe do ranchinho, na beira do Rio Paranaíba.

Para sorte da Lilian a Concessionária da Barragem havia acabado de abrir as comportas, turvando toda a água a jusante, onde a pescaria de caranhas e até pintados era garantida.

Eu havia estado no cafofo um ano antes com o Elsor Alvarenga, grande parceiro de mergulhos e protagonista dos DVDs Jornada Sub e voltei, ainda, alguns meses antes de sairmos para a Expedição Brasil Cristalino. Na época a Lilian não havia entendido porque eu não quis que ela me acompanhasse, mas vendo o cafofo, compreendeu na hora.

Como não havia forma de pescar a jusante da barragem, onde a pescaria seria muito mais produtiva, partimos de uma vez para Nova Paranaiguara.

Comparado ao cafofo, o rancho a baeira da Represa era um hotel de luxo e logo fomos baichando toda a carga, com direito a motor de popa, arpões e tudo mais.

As primeiras informações sobre os tucunarés azuis gigantes prometiam peixes de até 6kg e fomos ficando animados.

Mergulhamos dois dias por lá, tentando desde saídas de pequenos riachos que desembocavam na represa até as antigas casas da Cidade que foi inundada pela represa e onde só vimos piaus, ao invés dos grandes Jaús de até 100kg que diziam viver por lá.

A Lilian fez o primeiro mergulho noturno e arpoou uma tilápia, enquanto eu consegui um belo Tucuna Azul. Fiz muitos mergulhos na faixa dos 20m, esperando que um peixe melhor saisse do fundo, mas somente alguns poucos tucunarés que acabaram sendo preparados no rancho mesmo e doados para o proprietário é que conseguimos capturar.

 


Dois fatos engraçados marcaram a nossa estadia no rancho:

Uma noite eu chego da pescaria e meu travesseiro não está na cama, resultado, o Boré bebeu umas e outras e estava babando no meu travesseiro. Fiquei puto da vida e não tive dúvida em acordá-lo e pedir meu travesseiro de estimação de volta. A gente se apega em cada coisa nessa vida não é...

Mais engraçada foi a estória que o Seu Antonio, o caseiro do rancho vizinho contou. Seu Antonio, sempre solitário, acabou ficando amigo nosso, trouxe uma paleta de cateto que ele mesmo caçou e que devoramos feita na brasa.  Ele contou uma história de uma "classe", segundo ele, de japonês, que como cascavel, imagina se não sobro pra Lilian a brincadeira. Rapidinho ele esclareceu que ela não era dessa "classe" de japonesa, daquelas que come cascavel...

Segundo ele, alguns roceiros estavam roçando uma área perto de uma nascente, quando o tratorista pediu a um dos peões que fosse buscar água e ordenou que ele levasse um cantil, mas que tomasse cuidado com a sucuri que vivia por lá, pois ela era dada a hipnotizar os cachorros e até pessoas e a comê-las.

Como o rapaz estava demorando muito, o tratorista ordenou ao outro peão que fosse ver o que se passava e qual não foi a surpresa quando chegando ao pé da nascente, viu o rapaz tirando a camisa para se enfiar dentro da bocarra da Sucuri. Pedimos permissão e filmamos toda essa estória, contada pelo Seu Antonio e com essa nos despedimos de Nova Paranaiguara, depois de uma pescaria fraca, mas ainda com alguns belos tucunas de 2 a 3kg que foram doados para o dono do rancho onde ficamos. Agora sim a Lilian não escaparia do Cafofo do Bin Laden.

 

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