Em vários hotéis por onde passamos no começo da Expedição Brasil Cristalino Dois Oceanos, o passa-tempo preferido da Lilian era assistir no Discovery Channel a série Presos no Extrangeiro, pois é...até que aconteceu conosco aqui no Panamá.

 

Em vários hotéis por onde passamos no começo da Expedição Brasil Cristalino Dois Oceanos, o passa-tempo preferido da Lilian era assistir no Discovery Channel a série Presos no Extrangeiro, pois é...até que aconteceu conosco aqui no Panamá.

Chegamos no Panamá no começo de fevereiro de 2011, em pleno verão Panamenho, pelo menos assim definem aqui a estação seca, que vai de meados de dezembro a final de abril. Estávamos cheio de vontade de pescar e depois de mais de dez anos esperando por esse momento, aqui estávamos, retirando a camionete do "container" no porto de Colón, que ganhou seu nome em homenagem ao navegador Cristóvão Colombo, ou, em espanhol, Cristobal Colón.

A camionete veio de Cartagena, na Colombia, em um navio cargueiro, enquanto nós cruzamos todo o Arquipélago de San Blás em um veleiro, aliás, foi nesta viagem que, depois de acordarmos sobressaltados durante uma manobra mal feita e de passarmos 36 horas navegando entre Cartagena e El Porvenir, em San Blás, decidimos que se viéssemos a comprar um barco, não seria um veleiro. Achamos a viagem muito desconfortável e cansativa e o calor a bordo era de matar. Outro item importantíssimo pra nós, os veleiros geralmente não tem freezer, ou quando tem, não estão preparados para nossa demanda de pescadores submarinos.

Conseguimos uma despachante aduaneira em Colón e fizemos os trâmites em três dias. Seguimos para a Cidade do Panamá, onde começaríamos a planejar nossa primeira pescaria no Panamá. Desde que Cartagena eu já havia feito uma busca na internet e encontrado uma pousada que oferecia o serviço de Pesca Submarina, apesar de as acomodações serem bastante simples. O local se chamava MORRO NEGRITO e eu havia ficado de confirmar se iríamos logo no começo de fevereiro, ou se deixaríamos para o final do mês.

A outra pescaria que estávamos programando com um amigo brasileiro que estava no Panamá não saiu e decidimos embarcar nessa de Morro Negrito mesmo, que parecia ser uma opção mais barata para começarmos a conhecer o Oceano Pacífico mais de perto, ainda sem grandes ambições com relação as capturas. Acertados os detalhes com o dono da pousada, partimos da Cidade do Panamá, onde ficamos no Hotel Marbella, para Santiago, pela Panamericana. Próximo a Cidade de Tolé, tivemos que sair da estrada principal e depois de algumas informações, debaixo de um calor equatorial, chegamos ao Porto Yurre, de onde nos levariam em uma panga (bote de fibra) até a pousada. Aí conhecemos um dos guias do lugar, que cuidava do porto e estava fazendo uns consertos em duas embarcações da pousada. Tudo parecia razoavelmente organizado e não percebemos nada que pudesse nos alarmar e preparar para o que estava por vir. Com a subida da maré chegou e embarcação que nos levaria a Pousada, que fica em uma ilha, de um lado banhada pelo Pacífico e de outro separada do Continente por um rio. Subimos tudo na panga e partímos ziguezagueando pelos braços de mangue até que atingimos um canal mais aberto, passando por um grande pier cheio de lanchas de pesca esportiva amarradas e daí tivemos acesso ao mar. Desembarcamos em uma praia e daí caminhamos com a tralha toda ajudados pelos guias e administradores até nosso chalé. As instalações, como eles mesmo definiam no site, estavam apenas um passo a frente de um camping, porém contavam com um bom local social e de refeições, banheiros limpos e confortáveis e quartos de frente para o mar que recebiam todo o barulho das ondas que quebravam em uma barreira de pedras natural, bem abaixo de nossa janela. BUCÓLICO.

Não me contive, troquei de roupa, peguei minha máscara e snorkel e entrei na água, na frente da pousada, já no final da tarde, com a maré bem cheia...tudo era novo, diferente, a areia preta típica de muitas praias do Pacífico, as pedras também bem negras, umas formações de coral meio desertas e os mesmos peixes-loro (budiões) que eu havia visto no Perú e no Ecuador. A água estava clara para um local tão perto da costa e eu saí animado para o mergulho do dia seguinte.

Preparamos tudo para o dia seguinte, inclusive o arbalete da Riffe, as bóias e bungees que havíamos comprado na Cidade do Panamá e estávamos loucos para estreiar. Naquela mesma noite tivemos a chance de conversar com o guia que nos designaram e que nos prometeu um lugar onde ele já havia feito boas capturas com grupos anteriores.

"He sacado incluso tuna ayá" - disparou animado.

Depois de confirmarem se poderiam nos levar até a ilha sugerida pelo guia, combinamos tudo para a manhã seguinte, sem muita pressa, depois do café-da-manhã. A pousada cobrava um valor por pessoa por dia e neste valor estava inclusa uma saída por dia de pesca, porém a distância era limitada, por isso a confirmação era necessária. Como geralmente os peixes preferem as ilhas mais afastadas e esse conjunto em que iríamos era um dos mais fora que havia na redondeza, ficamos bastante animados, contando até com a chance de vermos nosso primeiro atum.

Havíamos ouvido falar dos atuns do Panamá pela primeira vez pouco antes de sairmos do Brasil, pois o Diego tinha acabado de voltar daqui e nos mostrou imagens incríveis. Tudo isso, somado anos anos de expectativa e fotos de caranhas, olhos-de-boi e peixes-galo enormes, que sempre víamos no Brasil, fazia com que nosso imaginário viajasse nas possibilidades de captura que a manhã seguinte nos proporcionaria.

Acordamos depois de uma noite meio dormida, pois tudo é estranho na primeira noite, tomamos café e nos dirigimos a mesma praia para embarcar. Logo descobrimos que nosso guia, que nos esperava na panga, era Peruano e vivia na Argentina, estando apenas de passagem pela pousada devido a nacionalidade e amizade que compartilhava com os administradores. Percebia-se também, que lhe faltava a experiência necessária para o título que carregava, de Capitan de Bote.

"Hay un sitio calmo para ponermos los trajes" - perguntei.

"Si, si, hay uno muy hermoso" - respondeu o capitão.

Ancoramos em uma baia abrigada e podíamos ver o fundo, a uns 8m de profundidade, o dia estava ensolarado e o mar calmo, como em muitos dos dias de verão aqui no Panamá. Tudo era como em uma pintura, ou melhor, em um filme de pesca submarina que só estava começando. Colocamos as roupas e começamos a bordear a ilha em direção a parte de fora, onde o capitão havia pego o suposto atum troleando em uma viagem anterior...

Quando contornávamos uma ponta que se pronunciava da ilha pra dentro do mar, eu gritei:

- "Acá, acá, tiranos acá".

Ele resmungou algo mas acatou. O lugar me pareceu muito propicio com uma fileira de pedras que seguia desde a borda da ilha, por uns 80 metros mar adentro, abaixando a profundidade conforme se afastava da ilha. E melhor, era abrigado do swell predominante, possibilitando um primeiro mergulho mais relax para mim e principalmente para a Lilian, pouco acostumada ao bate-bate, ou quebrança. Caímos na água e minhas previsões estavam certas, fui imediatamente rodeado por um cardume de Xaréus Olho-de-Cavala e em seguida por outro de barracudas, este ainda maior e com peixes de bom porte. Deixei o corpo cair e fiquei hipnotizado com a quantidade de barracudas que me cercavam, passando a boa distância. Ainda pouco familiarizado com a Riffe, bungee e bóia, mirei aquele que me pareceu o maior peixe do cardume e espremi o gatilho com toda a força, a arma se mexeu e nada aconteceu...a arma novinha, usada pela promeira vez, estava travada e eu não conhecia a trava...CARAMBA.

Nesta mesma decida eu vi quando um caranhão com uma marca de anzol na boca subiu do fundo até uns 10m e desceu rapidamente...esse sim era o peixe que eu queria...

Me recuperei na superfície, certificando-me de que a GO PRO estava ligada, tomei ar e desci...Em um comportamento muito visto nas caranhas aqui no Panamá, o Caranhão subiu novamente curioso pelo brilho das minhas nadadeiras e me mostrou a cara, BANG...esse tiro sim saiu e atravessou o peixe nas costas, saindo próximo da nadadeira peitoral. O peixe arrancou com velocidade pra baixo e pela primeira vez eu vi como funcionava um bungee e uma bóia que ficou ereta na superfície da água.

Chamei o nosso barco e poucos minutos depois tinha embarcado o peixe, uma linda caranha na faixa dos 20kg. Percebi quando um barco grande e lento, parecendo um barco comercial, desses de "long-line" se aproximava. Pensei que deveria ser um pescador querendo conversar, perguntar da pesca, porque vinha desde longe, bem na nossa direção.

Mal sabia eu que era o barco da "MAR VIVA", uma ONG que patrulhava o PARQUE NACIONAL MARINHO DE COIBA, que abrangia, inclusive, as Ilhas Contreras, onde estávamos pescando.

Lá estava eu na panga chamando a Lilian pra ver minha caranha, todo entretido, quando percebo que o barco que vinha na nossa direção já estava nos abordando. Um antigo barco pesqueiro havia sido reformado e era agora um barco de patrulha, com o logotipo MAR VIVA e tripulado por três integrantes da ONG e um Guarda Parque.

Um dos tripulantes, um negro forte, sacou uma câmera digital e começou a tomar fotos do peixe e filmar toda a ação...Eu ainda acreditando que eles iam nos advertir comecei a me preocupar quando o Guarda Parque, que não conseguia falar com o chefe pelo rádio, disse que teriam que nos rebocar até a sede do Parque na Ilha de Coiba.

Ainda otimista, eu achei que tudo não ia passar de um mal entendido e que quando explicássemos que éramos turistas e que a culpa tinha sido do pessoal da pousada, não haveriam maiores consequencias. Aceitei que nos rebocassem até a Ilha principal do arquipélago e no caminho todas as idéias possíveis passavam pela minha cabeça, menos a de que ficaríamos presos na ilha, que antigamente funcionava como uma Prisão.

O barco era lento e demoramos umas duas horas para fazer o percurso desde as Ilhas Contreras até Coiba. Chegamos no Parque e logo fomos recebidos pelo Chefe do Parque e por um policial da Guarda Nacional, equivalente a PM brasileira, além de outros guardas-parque e integrantes da ONG que estavam sediados em Coiba.

Nas nossas primeiras buscas sobre os lugares onde poderíamos pescar no Panamá, tudo que encontramos sobre Coiba foi que era um Parque Nacional e que somente uma empresa de Pesca Esportiva (de linha) oferecia um pacote super VIP e super caro, prometendo a pescaria da vida de qualquer um, com direito a Marlin, Atum, Olho-de-boi, caranha, Peixe-galo e tudo mais...Não fazíamos a mais remota idéia de que as ilhas onde nos levaram faziam parte do Parque e muito menos que ganharíamos uma carona para conhecer aquele lugar tão selvagem e tão difícil de se chegar. A situação não era da mais agradáveis, mas eu ainda estava esperançoso, de que o chefe ia nos advertir, multar os responsáveis e nos mandar embora. Depois de umas duas horas tentando falar com a Assessora Jurídica e com a ajuda do Thomas, gringo que administra a empresa de Pesca Esportiva que opera por lá e que emprestou o Telefone Satelital ao Chefe do parque, finalmente ele conseguiu:

- "Tenemos que decomissar la lancha y los arpones"

Nesta altura eu comecei a perder o bom humo e o otimismo e passei a me preocupar. A Lilian tinha percebido que a coisa tava complicando e foi pro barco empacotar todo o equipamento de mergulho, desinflando as bóias, enrolando os bungees e entocando tudo onde era possível, para que nosso prejuízo fosse menor, lembrando que nossos dois arpões de madeira de 1,30m já estavam em poder do Parque.

Quando cheguei na panga onde a Lilian estava e dei a notícia pra ela, falando que íamos ter que dormir aquela noite na ilha, porque não tinha embarcação pra nos levar de volta, ela desabou:

- Eu não fico aqui. Com que roupa? Estou de biquini e roupa de mergulho, toda molhada?

Tentamos argumentar com o chefe do parque, dizer que a Lilian tinha que tomar um remédio, que todos na pousada estavam preocupados, que isso, que aquilo. Tentamos pedir ao Thomas que nos levasse pra pousada e nos cobrasse, mas de nada adiantou. Ponderei com a Lilian:

- Lilian, fique calma, na atual situação, esse cara tem a autoridade e se você encrencar com ele pode ser pior. Ele disse que vai nos conseguir uma cabana com ar-condicionado, uma ducha e a namorada do Thomas pode te conseguir umas roupas. Depois, se você quiser contratar um advogado e processá-lo, chamar a imprensa internacional, a embaixada do Brasil, aí é outra história, mas agora, o melhor que temos a fazer é manter a calma e fazer o que eles estão pedindo, ou mandando.

Tratei, porém, de deixar claro para o Chefe do Parque que eu era advogado no Brasil, que ia brigar pelos nossos arpões até o último tribunal internacional, se preciso, uma vez que não tínhamos culpa, que eles não poderiam ter nos rebocado para longe do nosso porto de origem, sem nos deixar alternativa para voltar e que não podia nos manter em cárcer privado, como estava fazendo. Ele ponderou que já era tarde e que não ia arriscar os homens do parque e a embarcação para nos levar de volta aquela hora e que ia fazer de tudo para que a multa recaísse sobre o gringo dono da pousada e que recuperássemos nossos arpões.

Jantamos com os guarda-parque, assistimos um vídeo institucional do parque, como o que tem em Noronha e fomos dormir, eu a Lilian e o nosso pseudo guia, pseudo capitão, todos na mesma cabana coletiva. Amanhã voltaríamos a pousada...Ou não?

Comentários   

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