Em julho de 2008 eu tomei uma decisão muito importante na minha vida, pararia de trabalhar e iria me dedicar ao que mais gosto de fazer pescar e mergulhar, mais especificamente, praticar a pesca submarina.

 

Eu tinha na época 10 anos de pesca submarina, sendo que nunca havia realmente me dedicado e pescava esporadicamente, aos finais de semana, principalmente em dois lugares, no litoral sul de São Paulo, em Cananéia e no interior de São Paulo, no Rio Paraná. Havia também conhecido o litoral da Bahia e feito algumas pescarias por lá.

 

Tendo decidido somente pescar, eu passei o restante de 2008 alterando entre esses dois lugares, além de fazer alguns mergulhos em uma represa que minha família tem em Ribeirão Preto, onde fiz minhas primeiras filmagens naquele ano. 

 

Concentrei as pescarias no Rio Paraná, na região da Cidade de Andradina, São Paulo e pesquei quase todos os dias dos melhores meses, setembro e outubro. No mês de outubro, os pintados geralmente se aproximam da Barragem de Jupiá, na região onde eu pescava e a temporada foi muito boa, tendo capturado muitos pintados, até os 20kg.

 

Em uma dessas jornadas, tive a felicidade de ser acompanhado pelo Elsor Alvarenga, que lançou a série de DVDs Jornada Sub, sendo que foi ele quem me deu as primeiras dicas de como fazer um suporte para a câmera e como filmar.

 

Nesta mesma jornada eu revi a Lilian, depois de uns 4 anos que a havia conhecido, em Andradina, onde eu morava na época. Como a temporada de mergulho estava no auge, com uns 15m de visibilidade e boa quantidade de peixes, a conversa foi sobre peixes e pescaria e ela se interessou, pois desde pequena ouvia estórias do pai, que também foi pescador no Rio Paraná, mas de linha.

 

Covidei-a para um cinema e a partir daí começamos a nos conhecer melhor. Me lembro de estar na fora do Shopping Center de Andradina, onde fica o Cinema, tentando mostrar pra ela as cenas capturadas naquele dia... Ela estava morando no Rio de Janeiro e exercendo a fisioterapia por lá.

 

Nesta ocasião combinamos que assim que a pesca fechasse para a Piracema, eu iria visitá-la no Rio de Janeiro e fazer umas pescarias no mar. E assim passei outubro todo pescando em Andradina.

 

Quando fechou a pesca desci para o litoral de São Paulo para mais uma pescaria em Cananéia, um lugar do qual eu gosto muito e onde comecei a realmente conhecer a pesca submarina em água salgada.

 

Depois da pescaria em Cananéia, fui direto para o Rio de Janeiro, passando por Santos e Ilha Bela, todos no litoral de São Paulo.Passamos ótimos dias no Rio de Janeiro, que eu ainda não conhecia, pegando uma praia e indo também pra Arraial do Cabo, onde fizemos alguns amigos e passou a ser meu ponto preferido no litoral carioca. Foi na viagem para Arraial do Cabo que a Lilian fez um batismo forçado de mergulho autônomo, onde, segundo ela, o instrutor ficava empurrando-a para o fundo pelo regulador, enquanto ela tentava ver alguma coisa pela máscara embaçada, quase em pânico.

 

Nesta viagem ao Rio criamos um vínculo um pouco mais estreito e como eu voltaria pra Andradina e ela passaria as festas de fim de ano por lá, combinamos de nos encontrarmos por lá. E assim foi, nos encontramos em Andradina para o Natal e foi aí que a Lilian mergulhou pela segunda vez, no Rio Paraná e no meu bote de Alumínio que se chamava Sophia. Acho que ela gostou porque continua mergulhando comigo até hoje.

 

Depois do Natal, nos separamos novamente e eu fui pra Cananéia e de lá pra Ilha Bela, tudo isso arrastando meu bote atrás do carro, maior trampo, mas valeu a pena.

 

Nos encontramos novamente em Ilha Bela no final de Janeiro e fomos para uma praia deserta, do outro lado da ilha, que se chama Bonete, onde ficamos hospedados em uma casa muito legal de um amigo de meu falecido pai.

 

Aí foi que a Lilian mergulhou novamente, já em apnéia e com um arpão na mão. Foi nessa viagem também que começamos a namorar, só faltava decidir onde morar, porque eu andava entre Andradina, Cananéia e Ribeirão Preto, em São Paulo e ela morava no Rio.

 

Com essas viagens eu comecei a perceber que a renda mensal que eu tinha em decorrência da herança deixada pela morte de meu pai era suficiente para eu me manter e fazer aquilo que eu mais gosto, pescar.

 

De Ilha Bela cruzamos a Rio Santos direto até Arraial do Cabo, em uma viagem que a carreta do barco não nos deixou em paz, fazendo um barulho horrível a cada buraco que passávamos e o pneu pegava no para lamas.

 

A Lilian voltou pro Rio de Janeiro pra trabalhar e eu fiquei em Arraial, onde conheci o Paulo Alves, um Português que participou da Seleção Portuguesa e Pesca Submarina que disputou o mundial em Arraial e que pesca muito.

 

Pesquei com ele e com o Fabrício, outro amigo que conhecemos por lá, encontrando a Lilian nos finais de semana, quando ela vinha do Rio de Janeiro.

 

Voltamos juntos para o Rio de Janeiro e depois de ficarmos um mês por lá eu propus para a Lilian que ela viesse morar comigo em Andradina e que, assim que eu resolvesse o que fazer com a propriedade rural que havia ficado pra mim de herança por lá, nós faríamos uma viagem pelo Brasil para praticar a Pesca Submarina, subindo pelo meio do Brasil, na época da seca, quando os Rios estão com a água limpa e descendo pelo litoral, desde o Pará, o mais próximo do verão possível, quando o mar tem suas melhores condições. Eu descobriria depois que não funciona bem assim nos Estados do Norte e em alguns do Nordeste do Brasil, mas era o que eu achava até então.

 

Foi aí que surgiu a Expedição Brasil Cristalino. Na verdade, o nome só surgiu durante a Expedição, quando querendo colocar no Youtube cada capítulo desta aventura, eu tive a idéia e a Lilian aprovou na hora.

 

Mergulhe conosco nessa aventura.

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